quarta-feira, 26 de maio de 2021

O dia que me apresentaram o Rivotril

Você deve estar pensando: o que deu de errado?

Calma que eu vou explicar.

Estamos no dia 2842794 da pandemia. O vírus aparentemente piorou e estamos em casa. Quem pode, claro. Poucas pessoas foram vacinas. E muita gente morreu.

E eu? Bem. Eu sou uma dessas sortudas que não ficou doente, que pode trabalhar de casa e que tem um emprego. 

Então porque esse título? Quer saber... nem eu sei o que deu errado. Mas, vou juntar algumas possibilidades.

Na primeira onda do covid eu fiz brincadeiras, eu furei a quarentena, eu queria pegar logo essa doença e criar meus anticorpos. Na segunda onda, não tinha mais grupo de risco, gente nova morria, quem era internado, morria. 

Medo.

E cada vez menos eu saí de casa. Comi mal, parei de me exercitar. Tinha dias que eu não via o sol.

Tem dias que é dificil sair da cama. Sorte a minha que tenho anjos na minha vida. Meu noivo que cuida de mim, minha cachorra que é parceira de cama e meus amigos e família que não desistem.

E olha que to fazendo terapia. 

Mas tem dia que é pesado. 

Tem dia que é escuro, que a tristeza toma conta. Sabe quando aparece um dementador no filme do harry e ele diz que parece que a alegria foi sugada? É essa a sensação. E não tenho forças pra fazer nada. Não tem um pensamento bom. Eu entendo os suicidas e porque eles desistem. Mas, uns dias depois, isso passa como mágica e os dementadores vão embora. 

E fica tudo colorido de novo. Eu danço, beijo, abraço. Coloco uma música. Dou bom dia pro dia. Fica tudo bem. Fico cheia de planos, esperança.

E tem outros dias em que o peito aperta, que o coração bate forte, que o ar fica pesado. Que a cabeça fica a milhão. Eu travo. Me cobro demais, tenho medo. E esses dias viraram semanas. E aquele aperto no peito ficou tão insuportável que meu noivo me convenceu de ir pro hospital achando que eu ia infartar. 

Fiz um eletro, conversei com o médico. "Você vai sobreviver". O diagnóstico? Crise de ansiedade. Na receita? Rivotril. 

...

Peguei aquele comprimido, respirei fundo e tomei. 

E se eu passar mal e morrer? 

"Calma, tu não vai passar mal, vai se sentir bem", disse meu noivo.

Era 1 da manhã de segunda-feira e nós dois estavamos sem sono. Ficamos deitados assistindo filme. E veio chegando um soninho gostoso. "Vamos dormir?".

Eu acordei meio dia no outro dia, com o celular na minha cara. Graças a Deus, não tinha nenhuma reunião de manhã. Eu respondi e-mail, whatsapp e marquei reuniões que nem lembro. Quando eu levantei, parecia que a gravidade da terra tinha mudado. Minha cabeça e minhas pernas pesavam, eu não tinha equilibrio. Que coisa horrível.

Mas o aperto no peito tinha aliviado. 

Só que eu sentir que ele estava ali, dormente, querendo aparecer.

Eu pensava em algo que me preocupava, e ele tentava voltar. 

E hoje ele voltou, tímido.

E agora eu estou aqui pensando: qual é o meu gatilho? por que isso ta acontecendo justo agora que minha vida ta perfeita? 

Na última sessão de terapia, a minha terapeuta fez eu deitar, fechar os olhos, respirar fundo e deixar meu subconsciente falar. Três coisas ficaram na minha cabeça.

1. Aquela cena do filme comer rezar amar, da Liz andando de bicicleta em bali, super feliz, livre


2. Uma foto minha quando era criança, deitada no chao, chupando dendo, com um travesseiro no meio das pernas e minha mae do lado, fingindo estar domindo

e uma frase

3. Eu to exausta, eu me sinto presa o tempo todo dentro da minha cabeça.

Se eu acho que esses remédios são a resposta? Não! Eles só me deixam dormente. 

É bom ficar dormente e não sentir dor e angustia, concordo. Mas quando o efeito passa, preciso encarar tudo de novo.

Sei o que me ajudaria... Mas não sei se tenho a força de vontade necessária para colocar em prática.

- Voltar a me exercitar (sem cobrança) por diversão

- Comer melhor (sem restrições)

- Meditar

- Alongar

- Me rodiar de pessoas e coisas que amo

- Ser mais generosa comigo 

- Um dia de cada vez

Ficar dormente com inibidores de SNC podem ser a solução mais fácil, mas, nada como resolver o problema na raiz.


Um beijo.

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