terça-feira, 30 de junho de 2020

Diário de uma quarentena - Ocupar a mente e o corpo

Como o dinheiro tinha acabado, os pedidos de gordice pelo iFood também acabaram. E eu resolvi que não queria terminar a quarentena pesando 20kg a mais. Já não bastava as academias fechadas e ser obrigada a caminhar de máscara pela rua, o que me sufocava.

Então, resolvi entrar numa dieta low carb e estabelecer uma rotina de exercícios. Ter uma rotina foi muito importante pra manter minha cabeça ocupada. E a dieta fez com que eu comprasse somente o essencial, ou seja, economia com comida. E sabe outra coisa que aprendi com a quarentena? A não desperdiçar comida. Eu consumia tudo o que comprava, congelava e ia consumindo aos poucos.



Todo dia eu anotava o que faria no dia seguinte e, no dia seguinte, ia marcando tudo o que tinha feito. Isso criava uma sensação de dever cumprido. Eu incluí uma alimentação mais saudável, tirei a bebida, meditava todos os dias, fazia musculação e yoga, tocava violão, desenhava mandalas. Enfim, fui colocando várias coisas para me ocupar e pra manter meu corpo e mente fortes.

Provavelmente foi o período mais produtivo da quarentena. Esse período durou 10 dias hahahaha.

O mais legal foi ver que todas as pessoas também estavam se sentindo perdidas e, ao mesmo tempo, tentando se redescobrir. Postando sua rotina de exercícios, uma nova receita, descobrindo um hobbie. E em meio àquele mundo desconhecido, foi bonito de ver essa sutil mudança na vida de todos. Além disso, com a diminuição de pessoas na rua, diminuiu também a poluição, o céu ficou cheio de estrelas, o mar cheio de peixes e mais e mais notícias de uma natureza que se recuperava começaram a surgir.

Eu tentei voltar para o foco de antes mais algumas vezes, mas foi muito difícil. O que influenciou? Amigos, bebidas e uma novidade: um namorado.

Lembra que eu falei no post anterior sobre a live de música sertaneja? Pois é, comecei a marcar de assistir a live com os amigos. E isso era regado de comida e muita bebida. Mais bebida do que comida.

Furei a quarentena várias vezes, pra ir na casa de amigos, na casa do namorado, na praia, pra ver o por do sol em Socorro. E por aí vai...

E por falar em namorado... Essa deve ser a parte mas improvável dessa história toda. Em meio a uma pandemia, um cara que eu conheci em pleno carnaval foi se aproximando e quando vi, já éramos um casal. Será que é amor ou carência da quarentena? Não vou mentir, mas, essa pergunta passeou pela minha cabeça por um bom tempo. E toda aquela vida que eu vinha levando, depois desse 1 ano solteira, foi primeiro impactada pela quarentena e agora por outra pessoa, que vinha se tornando cada vez mais especial e importante pra mim.

Um medo muito grande tomou conta de mim: será que estou preparada pra não estar sozinha? e se eu errar de novo nas mesmas coisas? e se eu deixar de ser eu e me perder mais uma vez?


E o impacto emocional da falta de rotina foi traiçoeiro. (continua)


Um beijo.

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