sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Caminho de Santiago - Expectativa x Realidade

Antes de fazer o caminho, eu escrevi um post (leia aqui) para exteriorizar um pouco da minha ansiedade e meus pensamentos sobre o que iria acontecer comigo nessa jornada.

Confesso que demorei para escrever sobre isso porque é um assunto bem delicado. O caminho foi realmente transformador e muitas dessas mudanças eu ainda estou trabalhando, desenvolvendo, dentro de mim. E esse assunto vai render muitos posts ainda, então, tenham paciência comigo hehehe.



Mas, então, vamos fazer o comparativo do que eu imaginei sobre o caminho e como realmente foi. Animados? hehehe

O que pode dar certo:

- Fazer amigos de todos os cantos do mundo (com certeza fiz amigos do mundo todo: Bélgica, Hungria, Coreia, México, Australia, Alemanha, Canadá, Polônia, Italia, etc e também fiz muitos amigos brasileiros)



- Melhorar o idioma (foi desafiador, mas, realmente pude viver em outro idioma, e eu me sinto muito orgulhosa de mim, vi também no que eu preciso melhorar)



- Ouvir histórias memoráveis (conheci gente incrível com suas batalhas diárias, que me fizeram crescer e ser grata pelo o que tenho e sou, conheci gente que estava la por N motivos diferentes, conheci peregrinos permanentes, comecei o caminho com a certeza que seria a primeira e a última vez que faria aquilo, terminei com a vontade de andar mais 800km)

- Descobrir coisas legais sobre mim mesma (não somente as coisas legais, como meus defeitos e faltas, cavei fundo, eu aprendi muito sobre quem é a Aleide, eu reencontrei comigo mesma, foi emocionante)



- Aprender a viver com pouco (essa foi uma grande lição, eu vivi mais de 40 dias com uma mochila pequena e mesmo assim tinham itens nela que eu não precisava)

- Aprender a me virar sozinha (outra grande lição, eu estava num lugar estranho, sozinha, com pessoas que falavam outro idioma, dormi cada dia num lugar diferente, numa cidade diferente, seguindo placas, andei de trem, metrô, pedi informação, cresci muito e vi que sou mais forte do que eu pensava)

- Aprender a economizar (eu gastei 1100 euros em mais de 40 dias, com comida, moradia, itens necessários, e algumas passagens, só comprava o que precisava)

- Voltar cheia de insights pra uma vida nova (com certeza! eu resgatei minha essência simples, meu amor próprio, minha vontade de ser protagonista da minha própria vida. Nada acontece por acaso, meses antes da viagem eu comecei a aprender sobre desenvolvimento pessoal, meditação, fundei o viaje pra dentro, tudo para me deixar mais preparada pelo que vinha pela frente, foi surreal e eu to cheia de ideias borbulhando por aqui).




- Meditar todos os dias (meditei alguns dias? sim. Alguns dias eu estava tão cansada que simplesmente dormia no meio da meditação, mas, com certeza entrei em processo meditativo todos os dias enquanto caminhava, isso me ajudava a manter minha mente menos agitada e a focar no momento presente)

- Aplicar o milagre da manhã (eu estabeleci várias rotinas matinas que cabiam ao caminho e que me ajudavam la, e pensando bem, a disciplina e a consistência que eu aprendi a aplicar la foi um aprendizado que eu devo continuar seguindo nos meus dias pós caminho.)

- Emagrecer (no way hahahaha no primeiro dia de caminhada um senhor brasileiro me disse: se você não cuidar, acaba engordando aqui, se come muito bem e se bebe muito bem. E é verdade, os menus peregrinos que o digam).

- Aprender a apreciar vinhos (posso dizer que aprendi a diferenciar um vinho bom de um vinho ruim e a beber sem fazer careta, isso que eu pagava 2 euros em uma garrafa hahaha).

- Escrever um livro (com certeza quero compilar todos esses insights e escrever um livro, tenho até um nome em mente)

- Me tornar minha melhor versão (erro e acerto todos os dias em busca de ser melhor todos os dias, o caminho me ensinou que damos um pequeno passo todos os dias para, no fim, caminhar 800km e é assim que eu pretendo levar minha vida, mais leve, sem me cobrar tanto)

- Terminar o caminho com facilidade (vou te dizer que a última semana foi bem difícil, eu tive muita dor no pé, vou falar com mais detalhes sobre isso aqui, mas, eu recebi a dor como um presente e ela me mostrou que eu tinha que apreciar, ir mais devagar e fazer amizades com quem estava sempre pra tras, me mostrou que tudo bem ser vulnerável)

O que pode dar errado:

- Engordar (não engordei, mantive o peso)

- Virar uma alcoólatra (hahahaha não, calma! Mas, voltei gostando de uma bebidinha de vez enquanto e, gente: eu falo inglês muito melhor depois de uma taça de vinho hahaha)

- Perder as unhas do pé (voltei com todas as unhas, amém)

- Aparecer várias bolhas no pé (tive pequenas bolhas no pé nos últimos dias, porque a dor que eu tinha me fazia andar meio torto e por isso as danadas apareceram, mas, não foi nada sério. Em compensação eu tive problemas com pulgas e bedbugs hahahaha)



- Gastar todo o dinheiro na primeira semana (eu fui muito muito muito contida com o dinheiro)

- Desistir na metade do caminho e pegar um ônibus até Santiago (pra ser sincera, na metade dos Pirineus eu desejei um uber fortemente, foi bem desafiador e no segundo dia eu acordei tão exausta que duvidei que conseguiria terminar, mas, depois, mesmo com a dor no pé eu tinha certeza que chegaria a Santiago caminhando e, mesmo que não conseguisse, estaria leve em ter chegado onde cheguei. Tiveram momentos que eu achei que não conseguiria camas disponíveis por conta da quantidade de peregrinos, mas, foi necessário uma semana de caminhada para eu perder o medo e aceitar dormir na rua se fosse necessário, mas, não foi, dormi quase todas as noites em albergues públicos.)

Gente, tenho muitas histórias pra contar e, fazendo essa retrospectiva fiquei vivenciando várias histórias e insights que tive no caminho. Não vejo a hora de contar tudo isso aqui pra vocês. 

Um beijo e buen camino.

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