segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Festa da Santa Achiropita em São Paulo

Você já ouviu falar na famosa festa italiana da Santa Achiropita que acontece todos os anos em São Paulo? Não?

Bom, a queridíssima Monalisa, que é colaboradora de conteúdo aqui no blog e quem sabe uma futura redatora fixa hehe, fez uma entrevista incrível com um dos colaboradores da festa, Paulo Gennari, e conseguiu várias informações e histórias interessantes sobre a festa e as pessoas participantes.

Vejam como ficou e preparem-se para participar dessa festa!



Quando o evento acontece:
Durante todo o mês de agosto, somente nos fins de semana.

Horários:
Sábados das 18hs as 0hs e Domingos das 17:30hs as 22:30hs

Como chegar:
O endereço da igreja é: Rua 13 de Maio, 478
O telefone para informações: 11 3106-7235

Um pouco sobre o entrevistado: 

Paulo Gennari, 33 anos, analista de sistema, colaborador do site Conversa na Cozinha (conversanacozinha.com), um blog descompromissado de compartilhamento de receitas.

Como conheceu?

Fui convidado por um amigo de colégio, a participar do grupo de jovens da igreja em 2000. Lá que me convidaram para participar da festa.

Aceitei trabalhar pela bagunça, vários jovens do grupo também trabalhavam. Conhecer os bastidores da festa, ver como tudo funcionava, me encantou e passei a trabalhar todos os anos. Com o tempo, fui enxergando o lado social e religioso por trás da festa, comecei a ver os resultados na comunidade.

As especialidades da festa:

A 'menina-dos-olhos' da festa é a Fogazza, uma espécie de pastel italiano, feito com uma massa mais grossa e recheada com mussarela, tomate e orégano. A massa é feita no dia, e a montagem envolve mais ou menos 100 pessoas. São vendidas cerca de 25.000 unidades por noite.

Além dela, tem a Fricazza, uma 'pizza' de massa alta feita à base de batata, bem leve, coberta de calabresa ou mussarela, tem a barraca Típica, que vende pimentão e berinjela recheados, além de antepasto típico, com sardela, berinjela e outras coisas.

A macarronada, apesar da massa ser industrializada é 'grano duro', mas o 'tchan' é o molho ao sugo, cuja receita é guardada a sete-chaves pelas Nonas da festa. Tem também a polenta ao molho bolonhesa.

Você citou, por exemplo, que o molho da macarronada é guardado a sete chaves. Como é a ‘seleção’ das cozinheiras da festa, como elas são substituídas ao longo dos anos?

O trabalho na cozinha da festa demanda muitas horas por dia, durante a semana toda para preparar tudo para o final de semana. Assim, a maior parte dos voluntários da cozinha é o pessoal da ‘melhor idade’ que já tem mais tempo livre naturalmente e já estão na festa há décadas! Conforme alguém deixa de trabalhar na festa, o processo é natural são muitos anos participando e alguém acaba sendo chamado pra Cozinha. Tem alguns contratados para os trabalhos mais pesados, mas são os voluntários que coordenam e sabem os meandros de tudo.

Visto que as receitas tradicionais da festa são italianas, os fundadores eram imigrantes italianos, ou a localização é num bairro italiano? Qual foi a inspiração para escolha dos pratos?

Sim, a igreja de Nossa Senhora Achiropita fica no Bixiga, um pedaço do bairro Bela Vista, na região central de São Paulo. Muito imigrantes italianos que se fixaram na região, eram devotos de Nossa Senhora Achiropita, que possui uma catedral na região da Calábria na Itália. Foi erguida a igreja e há 89 anos é feita uma festa para celebrar o dia de N. Sra. Achiropita – 15/8 – na década de 80 que a festa começou a se formar como é hoje.

A inspiração é basicamente essa tradição italiana intrínseca à festa, sei que a massa da fogazza é uma receita feita todos os anos pelos integrantes de uma mesma família. O resto, acho que é a tradição sendo passada para frente.

Eu sou do interior de São Paulo (Itapetininga – SP), e mesmo lá já ouvia falar dessa tradicional festa e da sua grandiosidade. Poderia dar alguns números da festa, como quantidade utilizada de alguns ingredientes, trabalhadores, e o total do público?

Bem, vamos ao que sei:

- Uma média de 50 mil pessoas por final de semana, totalizando 250 mil no mês.

- Mais de 10 tonelada de farinha, que rendem mais de 20 mil fogazzas por noite.

- Cerca de 10 mil pratos de macarrão todo dia!

- Mais de 2 mil doces, entre bolos, doces típicos, tortinhas de morango, espetinhos de fruta coberta de chocolate, etc..

- São mais de 1000 voluntários divididos entre 30 barracas espalhadas em 3 ruas diferentes que cercam a igreja, outras equipes de apoio e na Catina Madonna Achiropita, um salão atrás da igreja com mesas, música ao vivo e muito mais (cujos convites costumam acabar em julho, antes mesmo da festa começar!).

Até aqui frisamos a gastronomia da festa, mas sabemos que ela tem uma lado social, certo? Sabe de alguma melhoria realizada com ajuda dessa festa?

Sim, o que começou somente como uma celebração a N. Sra. Achiropita, hoje é a principal fonte de renda para as obras sociais da igreja. São diversas formas que a igreja retribui a comunidade todo esforço e empenho de todos os anos:

- CEDO – Centro educacional para 450 crianças e adolescentes carente da região. Fornece reforço escolar e diversas atividades, para os mais velhos, ajuda na busca do primeiro emprego.

- Casa Dom Orione – Atende cerca de 200 moradores em situação de rua, onde eles podem lavar roupa, tomar banho, comer e outras atividades sociais.

- Creche Mãe Achiropita – Para 200 crianças até 4 anos. Essa creche é uma das melhorias que vi acontecer, pois está funcionando faz uns 5 anos.

- Grupo Melhor Idade – Cerca de 180 idosos da região participam de atividades diversas.

E outras obras que podem ser vista em: http://www.achiropita.org.br/projetos-sociais


Um beijo.

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