domingo, 30 de maio de 2021

Ansiedade?

Esse foi o tema das últimas semanas na minha vida: Ansiedade.


Eu virei uma bomba relógio. Do nada meu peito aperta, meu coração acelera, meu pensamento fica confuso e acelerado, tudo me irrita.

Possíveis causas? Muito tempo em casa por conta da pandemia, comendo errado, pouco exercício físico, casamento, faculdade, trabalho, terapia. Até a terapia? Na terapia a gente vai mexendo em vários assuntos incômodos que podem gerar desconforto até que sejam totalmente resolvidos.

Minha psicóloga diz que é o casamento.

Aí eu disse: "mas ta tudo tão sob controle, tudo contratado, só esperando o dia chegar."

Aí ela rebateu: "não to falando do dia do casamento, to falando no que o casamento representa. Você ta lutando contra dar esse passo."

Fez sentido...

Além disso eu fiquei pensando coisas, gatilhos que me deixam nervosa: 1. o celular e a quantidade de estímulos que ele me da, 2. café, 3. ...

Tem sido dias difícies e eu fico tentando várias alternativas. Me colocar menos regras, respirar, delegar funções, confiar nas pessoas.

E a seguinte frase me surgiu: a vida é simples.

A vida é mais simples do que isso. E eu teimo em complicar. Ao invés de aproveitar o percurso, eu sofro. E penso em tudo que pode dar errado.

Respira. Se cobra menos.

É fácil falar... Não sei fazer isso.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

O dia que me apresentaram o Rivotril

Você deve estar pensando: o que deu de errado?

Calma que eu vou explicar.

Estamos no dia 2842794 da pandemia. O vírus aparentemente piorou e estamos em casa. Quem pode, claro. Poucas pessoas foram vacinas. E muita gente morreu.

E eu? Bem. Eu sou uma dessas sortudas que não ficou doente, que pode trabalhar de casa e que tem um emprego. 

Então porque esse título? Quer saber... nem eu sei o que deu errado. Mas, vou juntar algumas possibilidades.

Na primeira onda do covid eu fiz brincadeiras, eu furei a quarentena, eu queria pegar logo essa doença e criar meus anticorpos. Na segunda onda, não tinha mais grupo de risco, gente nova morria, quem era internado, morria. 

Medo.

E cada vez menos eu saí de casa. Comi mal, parei de me exercitar. Tinha dias que eu não via o sol.

Tem dias que é dificil sair da cama. Sorte a minha que tenho anjos na minha vida. Meu noivo que cuida de mim, minha cachorra que é parceira de cama e meus amigos e família que não desistem.

E olha que to fazendo terapia. 

Mas tem dia que é pesado. 

Tem dia que é escuro, que a tristeza toma conta. Sabe quando aparece um dementador no filme do harry e ele diz que parece que a alegria foi sugada? É essa a sensação. E não tenho forças pra fazer nada. Não tem um pensamento bom. Eu entendo os suicidas e porque eles desistem. Mas, uns dias depois, isso passa como mágica e os dementadores vão embora. 

E fica tudo colorido de novo. Eu danço, beijo, abraço. Coloco uma música. Dou bom dia pro dia. Fica tudo bem. Fico cheia de planos, esperança.

E tem outros dias em que o peito aperta, que o coração bate forte, que o ar fica pesado. Que a cabeça fica a milhão. Eu travo. Me cobro demais, tenho medo. E esses dias viraram semanas. E aquele aperto no peito ficou tão insuportável que meu noivo me convenceu de ir pro hospital achando que eu ia infartar. 

Fiz um eletro, conversei com o médico. "Você vai sobreviver". O diagnóstico? Crise de ansiedade. Na receita? Rivotril. 

...

Peguei aquele comprimido, respirei fundo e tomei. 

E se eu passar mal e morrer? 

"Calma, tu não vai passar mal, vai se sentir bem", disse meu noivo.

Era 1 da manhã de segunda-feira e nós dois estavamos sem sono. Ficamos deitados assistindo filme. E veio chegando um soninho gostoso. "Vamos dormir?".

Eu acordei meio dia no outro dia, com o celular na minha cara. Graças a Deus, não tinha nenhuma reunião de manhã. Eu respondi e-mail, whatsapp e marquei reuniões que nem lembro. Quando eu levantei, parecia que a gravidade da terra tinha mudado. Minha cabeça e minhas pernas pesavam, eu não tinha equilibrio. Que coisa horrível.

Mas o aperto no peito tinha aliviado. 

Só que eu sentir que ele estava ali, dormente, querendo aparecer.

Eu pensava em algo que me preocupava, e ele tentava voltar. 

E hoje ele voltou, tímido.

E agora eu estou aqui pensando: qual é o meu gatilho? por que isso ta acontecendo justo agora que minha vida ta perfeita? 

Na última sessão de terapia, a minha terapeuta fez eu deitar, fechar os olhos, respirar fundo e deixar meu subconsciente falar. Três coisas ficaram na minha cabeça.

1. Aquela cena do filme comer rezar amar, da Liz andando de bicicleta em bali, super feliz, livre


2. Uma foto minha quando era criança, deitada no chao, chupando dendo, com um travesseiro no meio das pernas e minha mae do lado, fingindo estar domindo

e uma frase

3. Eu to exausta, eu me sinto presa o tempo todo dentro da minha cabeça.

Se eu acho que esses remédios são a resposta? Não! Eles só me deixam dormente. 

É bom ficar dormente e não sentir dor e angustia, concordo. Mas quando o efeito passa, preciso encarar tudo de novo.

Sei o que me ajudaria... Mas não sei se tenho a força de vontade necessária para colocar em prática.

- Voltar a me exercitar (sem cobrança) por diversão

- Comer melhor (sem restrições)

- Meditar

- Alongar

- Me rodiar de pessoas e coisas que amo

- Ser mais generosa comigo 

- Um dia de cada vez

Ficar dormente com inibidores de SNC podem ser a solução mais fácil, mas, nada como resolver o problema na raiz.


Um beijo.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Diário de uma quarentena - Ocupar a mente e o corpo

Como o dinheiro tinha acabado, os pedidos de gordice pelo iFood também acabaram. E eu resolvi que não queria terminar a quarentena pesando 20kg a mais. Já não bastava as academias fechadas e ser obrigada a caminhar de máscara pela rua, o que me sufocava.

Então, resolvi entrar numa dieta low carb e estabelecer uma rotina de exercícios. Ter uma rotina foi muito importante pra manter minha cabeça ocupada. E a dieta fez com que eu comprasse somente o essencial, ou seja, economia com comida. E sabe outra coisa que aprendi com a quarentena? A não desperdiçar comida. Eu consumia tudo o que comprava, congelava e ia consumindo aos poucos.



Todo dia eu anotava o que faria no dia seguinte e, no dia seguinte, ia marcando tudo o que tinha feito. Isso criava uma sensação de dever cumprido. Eu incluí uma alimentação mais saudável, tirei a bebida, meditava todos os dias, fazia musculação e yoga, tocava violão, desenhava mandalas. Enfim, fui colocando várias coisas para me ocupar e pra manter meu corpo e mente fortes.

Provavelmente foi o período mais produtivo da quarentena. Esse período durou 10 dias hahahaha.

O mais legal foi ver que todas as pessoas também estavam se sentindo perdidas e, ao mesmo tempo, tentando se redescobrir. Postando sua rotina de exercícios, uma nova receita, descobrindo um hobbie. E em meio àquele mundo desconhecido, foi bonito de ver essa sutil mudança na vida de todos. Além disso, com a diminuição de pessoas na rua, diminuiu também a poluição, o céu ficou cheio de estrelas, o mar cheio de peixes e mais e mais notícias de uma natureza que se recuperava começaram a surgir.

Eu tentei voltar para o foco de antes mais algumas vezes, mas foi muito difícil. O que influenciou? Amigos, bebidas e uma novidade: um namorado.

Lembra que eu falei no post anterior sobre a live de música sertaneja? Pois é, comecei a marcar de assistir a live com os amigos. E isso era regado de comida e muita bebida. Mais bebida do que comida.

Furei a quarentena várias vezes, pra ir na casa de amigos, na casa do namorado, na praia, pra ver o por do sol em Socorro. E por aí vai...

E por falar em namorado... Essa deve ser a parte mas improvável dessa história toda. Em meio a uma pandemia, um cara que eu conheci em pleno carnaval foi se aproximando e quando vi, já éramos um casal. Será que é amor ou carência da quarentena? Não vou mentir, mas, essa pergunta passeou pela minha cabeça por um bom tempo. E toda aquela vida que eu vinha levando, depois desse 1 ano solteira, foi primeiro impactada pela quarentena e agora por outra pessoa, que vinha se tornando cada vez mais especial e importante pra mim.

Um medo muito grande tomou conta de mim: será que estou preparada pra não estar sozinha? e se eu errar de novo nas mesmas coisas? e se eu deixar de ser eu e me perder mais uma vez?


E o impacto emocional da falta de rotina foi traiçoeiro. (continua)


Um beijo.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Diário de uma quarentena - Choque de realidade

Pra ser sincera, viver uma quarentena estava sendo muito tranquilo pra mim. Eu nunca me importei em ficar sozinha, em ter meu tempo e ficar em casa. Estava levando tudo numa boa.

Coisas pequenas começaram a fazer falta, como tomar um café na padaria ou ir ao parque. Mas, no geral eu estava muito confortável.

Eu resolvi me abster de jornal e notícias para não pesar muito a minha cabeça. Queria passar por tudo isso de forma mais leve possível. Até porque não tinha como saber o que era real e o que era manipulação. Meus vizinhos faziam panelaço todos os dias as 20h e depois os panelaços viraram lives de cantores sertanejos.

Eu estava trabalhando de casa, fazendo minhas sessões de terapia a distância e tudo corria muito bem. Até que fui atingida financeiramente. Minha consultoria não podia mais continuar me pagando como fazia e meu salário caiu drasticamente. Mais de 70%.

Não vou mentir em dizer que aquilo me desestabilizou. E algo pelo qual eu estava tranquila, começou a me preocupar. Acho que nossa primeira reação quando algo nos tira da zona de conforto é ficar pessimista e com medo. Afinal, a partir de agora o futuro era incerto. Eu poderia não ter como pagar minhas contas no próximo mês, quando isso irá se normalizar? Quando essa quarentena irá terminar?

Não ter resposta para nenhuma dessas perguntas me deixou sem chão. Fiquei uns dias remoendo esse assunto e tendo pena de mim mesma, até que eu resolvi parar e pensar sobre aquilo com um olhar de fora. Não adiantava eu ficar pensando no problema, já que eu não tinha controle nenhum sobre ele. Eu precisava pensar nas possíveis soluções, o que eu posso fazer hoje?



Então analisei meus gastos e o que eu poderia economizar. Analisei minhas fontes de renda e comecei a me preparar para o período de escassez. Também fiz uma lista de maneiras de me ocupar nessas minhas "férias não remuneradas", além de atualizar meu currículo e me candidatar para algumas vagas. Pronto, agora eu estava em ação, fazendo algo que poderia ter efeitos positivos, além de só ficar sentada reclamando.

Cortei as sessões de terapia, as comprinhas desnecessárias e passei a cozinhar mais em casa. Minha tia me mandava mensagem todos os dias pedindo para eu ir pra Joinville, com medo do caos que se tornaria São Paulo. Mas, eu preferi ficar em casa.

Logo no começo, descobri que a mãe de uma amiga estava na UTI, com suspeita de COVID. A doença distante era real e estava cada dia mais próxima. Infelizmente ela não se recuperou e acabou falecendo. Depois tive contato com uma pessoa contaminada e o pai dele também foi internado. O fim dessa história foi mais feliz, ele se recuperou e foi pra casa. Será que eu me contaminei? Será que contaminei outras pessoas?

E assim eu recebi o choque de realidade. (continua)


Um beijo.

Diário de uma quarentena - Como tudo começou

Você se lembra do início da quarentena?  Eu lembro quando pensei que seriam apenas 15 dias de isolamento. Lembro de ouvir as pessoas dizendo: Se é 15 dias, por que chamam de quarentena?

Acho que mesmo vendo o que estava acontecendo em outros países, aquilo parecia tão distante, não iria nos atingir. Mas atingiu, e já são bem mais do que 15 dias.



A propósito, lembro exatamente do último rolê antes do isolamento. Foi no dia 14/03/2020, eu assisti ao por do sol com uma amiga e depois fomos num pagode na Vila Madalena. E se for por falta de contato físico, naquela noite teve muito contato físico. Eu dancei a noite toda, suei muito, dividi copo de bebida.

Meu isolamento começou no dia 16/03, hoje já fazem mais de 3 meses. Eu tentei levar a sério, mas, no começo aquilo parecia tão utópico. Confesso que eu só comecei a usar máscara quando se tornou obrigatório. Mas, eu tentava cumprir o isolamento e só saia de casa para ir no mercado, passear com a Sunny e ir na casa da minha amiga.

A quarentena oficial mesmo começou uma semana depois. As pessoas surtaram, esvaziaram prateleiras de supermercado, estocaram álcool em gel e papel higiênico. E se comportaram como num filme pós apocalíptico. Eu ainda não descobri o que fizeram com tanto papel higiênico, além do desafio de girar o rolo de papel no bumbum.

Eu e meus amigos reproduzimos alguns daqueles vídeos das redes sociais que diziam: depois de 7 dias de quarentena. Levando tudo com leveza e despreocupação. Afinal são só 15 dias, né?

Mas estava só começando... (continua)

Um beijo.
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